A Evolução do Cartão: Do Plástico ao Virtual

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Ao longo de mais de um século, o cartão de pagamento acompanhou a transformação da sociedade, das primeiras experiências em metal às modernas soluções digitais. Este caminho revela inovações, desafios e um futuro cada vez mais conectado.

Exploraremos marcos históricos, avanços tecnológicos e tendências que redefiniram a forma como consumimos, transferimos recursos e vivemos a experiência financeira.

Primeiros passos: o metal e o papel

Em 1914, a Western Union introduziu o primeiro cartão de crédito em metal, longe de ser um produto de massa, mas dotado de um conceito revolucionário: permitir pagamento diferido. Apesar do impacto limitado, inaugurou a ideia de um suporte alternativo ao dinheiro físico.

Na década de 1940, surgiu o cartão de papel idealizado por Fred McNamara. Em 1950, o Diner’s Club Card, processado manualmente, contava com apenas 200 membros e 27 estabelecimentos associados. Foi um passo fundamental para demonstrar o potencial de conveniência e exclusividade que conquistaria o mercado.

O nascimento do plástico e a expansão global

Em 1958, duas iniciativas alteraram o rumo dos pagamentos. A American Express lançou seu cartão de plástico, inicialmente voltado a despesas corporativas e entretenimento. No mesmo ano, o Bank of America criou o BankAmericard, precursor do VISA. Em 1959, a AMEX substituiu de vez o papel pelo plástico e lançou as bases de um produto durável e de baixo custo.

Essa transição difundiu-se rapidamente: o cartão passou a ser símbolo de status e liberdade de consumo, suportando relevo e processos manuais de captura de dados, até a chegada dos primeiros terminais eletrônicos.

Automatização e velocidade: a banda magnética e os TPAs

Em 1969, Forrest Parry, da IBM, inventou a banda magnética, viabilizando o armazenamento digital de informações do cliente no cartão. Esse avanço tornou possível o processamento eletrônico em tempo real, inaugurando os primeiros terminais de pagamento automático (TPAs) em 1970.

Em Portugal, a adoção começou nos anos 70, estendendo-se na década seguinte com a rede Multibanco e, em 1986, a Redunicre consolidou a aceitação massiva. A automação reduziu fraudes e permitiu expansão global das redes bancárias.

Salto de segurança: o chip EMV

Em 1974, Roland Moreno patenteou o chip, mas sua adoção em massa ocorreu apenas nos anos 90, com o padrão global de chip EMV. Essa tecnologia gera códigos únicos para cada transação e permite autenticação por código único ou PIN, elevando a segurança e dificultando falsificações.

Em Portugal, o uso em massa do chip EMV começou no fim dos anos 90 e se consolidou na década de 2000, reduzindo drasticamente fraudes e clonagens.

Contactless e conveniência instantânea

Em 2010, terminais e cartões com tecnologia NFC possibilitaram os pagamentos sem contato imediato. Com limites de valor por transação e criptografia avançada, o contactless equilibrou praticidade e segurança, especialmente em países com infraestrutura moderna de TPAs.

A adesão acelerou com a pandemia, pois consumidores buscaram métodos mais rápidos e higiênicos de pagamento, estabelecendo um novo padrão de interação em lojas físicas.

Rumo ao digital: cartões virtuais e wallets

Entre 2010 e 2020, a popularização de Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay representou o início da transformação plena para cartões virtuais. As carteiras digitais agregaram múltiplas formas de pagamento em um único dispositivo, usando tokenização para proteger dados sensíveis.

Mais recentemente, soluções como REDUNIQ Soft transformam smartphones em terminais completos, sem hardware adicional. Hoje, a emissão instantânea de cartões virtuais permite compras online e por aproximação, tornando o plástico secundário.

Tendências e impactos futuros

A evolução dos cartões reflete uma jornada de desmaterialização, inclusão financeira e inovação. Entre as principais tendências, destacam-se:

  • Tokenização avançada para máxima segurança
  • Pagamentos integrados a wearables e IoT
  • Soluções fintech para mercados emergentes
  • Autenticação biométrica em tempo real

Essa transformação potencializa a bancarização global, especialmente em regiões antes desassistidas, e reforça a relevância do e-commerce e da mobilidade nos pagamentos do dia a dia.

Conclusão: uma revolução contínua

Do primeiro cartão de crédito em metal ao mundo de carteiras digitais, a trajetória dos cartões é um exemplo de como a tecnologia se adapta às necessidades humanas. Cada inovação, seja a banda magnética, o chip EMV ou os métodos contactless, surgiu para tornar a experiência mais rápida, segura e acessível.

Enquanto convivermos com plástico, silício e nuvens digitais, podemos esperar novas camadas de inteligência, integração e personalização nos meios de pagamento. Afinal, a única constante nessa história é a mudança.


Joshua Perkins • 18 de Fevereiro de 2026